|
CGU sorteia mais 60
municípios para fiscalização
Mais 60 municípios de
todos os estados brasileiros foram sorteados para receber fiscalização
especial da Controladoria Geral da União (CGU) quanto à aplicação de
recursos públicos federais. (Clique
aqui para ver a relação dos municípios sorteados). Com esse
sorteio chega a 621 o total de áreas municipais já fiscalizadas.
Segundo o Ministro do
Controle e da Transparência, Waldir Pires, o programa visa a combater a
corrupção entre gestores públicos de todas as esferas da
administração, além de estimular o controle social dos recursos
públicos.
As ações de fiscalização nas áreas sorteadas geraram milhares de
relatórios, que vêm sendo encaminhados aos diferentes órgãos
públicos responsáveis pelos aprofundamento das investigações e pelas
ações corretivas, como os Ministérios gestores ordenadores das
despesas, Polícia Federal, Ministério Público Federal, Tribunal de
Contas da União, Advocacia Geral da União, entre outros.
Vale destacar o rigor
do processo de fiscalização pois nos relatórios divulgados sobre as
últimas inspeções concluídas em 310 municípios, 221 apresentaram
problemas graves, 82 apresentaram problemas administrativos e 7
apresentaram apenas falhas formais.
A maioria dos problemas
constatados decorre principalmente da inexistência de procedimentos
formais e atuantes de controle interno, fato destacado no Boletim CEBI
de setembro, que foi dedicado integralmente a esse tema. Como
contribuição adicional para a estruturação e funcionamento desse
importante órgão, apresenta-se em seguida uma lista dos principais
problemas identificados nas inspeções da CGU.
Impropriedades na
realização de licitações/contratos
Muitas falhas foram
encontradas na realização dos processos licitatórios e em contratos
assinados pelos municípios, com destaque para:
- homologação de licitações com um número de participantes inferior
ao exigido pela Lei 8666/ 93;
- fracionamento de despesas e ausência de pesquisa de preços;
- aquisição de medicamentos com preços muito superiores aos
registrados no banco de preços do site do Ministério da Saúde;
- editais em desacordo com os convênios assinados com os Ministérios
responsáveis pelos programas;
- documentação dos processos de licitação incompleta ou incoerente;
- assinatura de contrato sem licitação sem comprovação das razões
da dispensa ou da inexigibilidade;
- irregularidades em notas fiscais já pagas;
- pagamentos feitos sem atestados que comprovem a execução de serviço
ou entrega de bens;
- apresentação de certidões de regularidade falsas;
- contratos assinados com objetos diferentes dos que foram licitados;
- vários contratos não concluídos e com prazos vencidos;
- pagamento antecipado relativo a serviços e obras, algumas paralisadas
ou até abandonadas;
- falta de parecer da consultoria jurídica aprovando minutas de editais
de licitação, bem como as de contratos;
- pagamento a maior ou pagamento por serviços não executados,
situação encontrada com freqüência em aplicações de recursos da
saúde;
- subcontratação de obra onde a subcontratada não apresentou
atestados de capacitação técnica compatíveis com os serviços;
- falta de publicação do aviso da licitação no Diário Oficial da
União.
Irregularidades no SUS
ou em programas da área de saúde
Considerando a
regularidade na transferência de recursos na área de saúde, deve o
gestor público estar atento para fatos como:
- medicamentos básicos
descartados com prazo de validade vencido, o que indica
incompatibilidade entre o total adquirido e o consumo efetivo dos
medicamentos pela população;
- cobrança de procedimentos médicos não realizados;
- equipes incompletas do Programa Saúde da Família (PSF) apesar do
programa ter recebido todos os recursos previstos no período;
- não realização da contrapartida de recursos do município em
programas em que ela é exigida ou utilização indevida de recursos de
outros programas como contrapartida;
- utilização de recursos de contas vinculadas a programas de saúde
para pagamento de despesas indevidas, como pagamento de aquisições ou
procedimentos não previstos no programa ou até pagamento de despesas
gerais como compra de combustível, encargos sociais da Prefeitura,
transferências para o Legislativo, e outras;
- insuficiência de medicamentos nas unidades de saúde que atendem
famílias cadastradas no Programa Saúde da Família (PFS), apesar do
grande gasto na compra de medicamentos, causada em parte por controle
frágeis no registro de entradas e saídas de medicamentos. Assim, não
só existe a possibilidade de roubo de medicamentos como também fica
difícil determinar-se com precisão a quantidade correta a ser
comprada, compatível com a demanda;
- não funcionamento dos conselhos obrigatórios ao funcionamento do
Sistema Único de Saúde
Nas área de
assistência social e educação também são encontradas diversas
irregularidades, onde se destacam:
- aplicação irregular
dos recursos do FUNDEF: não cumprimento do limite de 60% dos gastos do
fundo que devem ser direcionados para pagamento de professores no
exercício efetivo do magistério; pagamento de servidores que não têm
relação direta e exclusiva com o ensino fundamental; fraudes nas
folhas de pagamento principalmente com o registro de valores maiores que
os efetivamente pagos (cargas horárias maiores que a realidade,
pagamento de abonos inexistentes, férias integrais, quando só foi pago
o adicional de 1/3, etc);
- aplicação indevida de recursos do FNDE;
- falta da contrapartida do município nos programas onde ela está
prevista nos convênios;
- falta de controle sobre os estoques de alimentos da merenda escolar,
com grandes perdas ou roubos;
- funcionamento deficiente dos conselhos obrigatórias nas áreas de
educação e assistência social;
- falha no controle do programa Bolsa Escola, como a não aprovação
dos beneficiados por parte do Conselho Municipal de Controle Social ou o
pagamento de bolsas sem o controle da freqüência dos beneficiados nas
escolas onde estão matriculados. Problemas semelhantes existem no
programa de Bolsa Alimentação.
Finalmente vale
destacar que os fiscais da CGU também observam os recolhimentos
previdenciários, tanto a parte dos servidores quanto a patronal,
auditando também os pagamentos de notas fiscais de serviços em que há
fornecimento de mão de obra.
Em resumo, entre os
problemas graves mais comumente constatados nos municípios fiscalizados
destacam-se obras inacabadas ou paralisadas apesar de pagas, uso de
notas fiscais frias, indícios de simulação de licitações ou
irregularidades no processo de licitações, incluindo a participação
de empresas fantasmas, superfaturamento de preços, irregularidades na
aplicação de recursos vinculados e controles de gastos frágeis.
|