Introdução
O e-gov ou Governo
Eletrônico deve ser compreendido como o uso da tecnologia para aumentar
o acesso e melhorar o fornecimento de serviços do governo para
cidadãos, fornecedores e servidores. Trata-se, efetivamente, da busca
dos governos de desburocratizar todo tipo de interferência na vida do
cidadão, utilizando a internet para simplificar e otimizar os processos
administrativos, bem como eliminar formalidades e exigências
burocráticas que não se justificam e que oneram os cidadãos, as
empresas e os cofres públicos.
Segundo uma pesquisa do
IBOPE/NetRatings, o Brasil é o país que, proporcionalmente, mais
acessa os sites governamentais. Com os dados apurados em agosto de 2005,
37,1% do total de usuários domiciliares de internet no país visitaram
as páginas oficiais do setor público brasileiro em busca de
informações e serviços. O segundo lugar foi dos EUA, com 33,1%,
seguidos por Japão (30,2%), Reino Unido (27,9%) e Alemanha (24,5%).
Isso decorre, em grande
parte, do uso cada vez maior que os municípios fazem dessa tecnologia.
De acordo com recente pesquisa do IBGE, a internet existe em todos os
municípios com mais de 500 mil habitantes, em 32% daqueles com mais de
5 mil até 20 mil habitantes e aproximadamente 53% na faixa populacional
de 20.001 até 100 mil habitantes. Esse uso, entretanto, está em uso em
apenas 28% dos municípios que possuem até cinco mil habitantes.
informaram que tinham Internet nas prefeituras.
Vale, portanto, fazer
algumas observações sobre o uso dessa tecnologia pelos governos locais
e o seu papel no processo de desburocratização.
Estágio de
Desenvolvimento do Governo Eletrônico
O desenvolvimento do
Governo Eletrônico passa geralmente por quatro estágios diferentes. O
primeiro deles consiste na criação de sites para difusão de
informações sobre os mais diversos órgãos e departamentos dos
vários níveis de governo. É o estágio conhecido como INFORMATIVO,
havendo casos em que vários sites são reunidos em uma espécie de
portal oficial, mas mantém-se a característica de ter uma finalidade
meramente informativa.
No segundo estágio, eles
passam também a receber informações e dados por parte dos cidadãos,
empresas e outros órgãos. Ë o caso, por exemplo, de utilizar a
internet para declaração do ISS, informar uma mudança de endereço,
fazer reclamações e sugestões a diversas repartições, ou, ainda,
efetuar o cadastro on-line de uma empresa. Enfim, serviços que antes
exigiam uma imensa burocracia são agora disponibilizados via rede.
Neste âmbito, o site governamental passa a ter uma finalidade maior do
que a meramente informativa, tornando-se INTERATIVO.
Na terceira etapa de
implantação do Governo Eletrônico, as transações se tornam mais
complexas e o site assume um caráter TRANSACIONAL. Serviços como o
pagamento de contas e impostos, educação à distância, matrículas na
rede pública, marcação de consultas médicas, pregão eletrônico
entre outros, passam a ser realizados através da internet.. Em outras
palavras, além da troca de informações, valores são trocados e
serviços anteriormente prestados por um conjunto de funcionários
passam a ser realizados diretamente via rede.
Essas modificações
tornam-se ainda mais complexas no quarto estágio de implantação do
Governo Eletrônico. Neste estágio, é desenvolvido um tipo de portal
que não é mais um simples índice de sites, mas uma plataforma de
convergência de todos os serviços prestados pelo governo. Os serviços
são disponibilizados por funções ou temas, sem seguir a estrutura
funcional do governo em secretarias, departamentos etc. Esse estágio,
INTEGRAÇÃO, faz com que cidadãos ou empresas para se relacionar com o
governo não mais precisem se dirigir a inúmeros órgãos diferentes,
obtendo em um único local tudo que precisam do poder público. É nesse
estágio que efetivamente o município consegue utilizar todo o
potencial da internet como instrumento de desburocratização.
Assuntos
Um dos aspectos que
adiciona valor ao site é a quantidade e relevância dos assuntos por
ele abordados. Na perspectiva municipal existe uma multiplicidade de
tópicos que podem ser tratados, cabendo destacar: História do
Município, Geografia, Economia, Finanças Públicas, Cultura/Lazer,
Saúde, Educação, Meio Ambiente, Infra-estrutura, Tributação,
Legislação, Notícias, Turismo, Estrutura Administrativa,
Oportunidades de Investimentos/Financiamento/Incentivos Fiscais e
Financeiros, Recursos Humanos/Previdência Local, Trabalho/Emprego e
Trânsito.
Aspectos técnicos
É vasta a literatura que
trata da técnica de design de sites. Em geral essa técnica se baseia
na garantia da usabilidade, do site. Esse termo, tradução de
usability, define a medida da facilidade que os usuários encontram ao
visitar um site, ou seja, se ele é intuitivo - o usuário sabe
automaticamente como agir para navegar -, eficiente e funcional.
Pesquisas feitas
recentemente apontam que a boa usabilidade é um pré-requisito
fundamental para o sucesso de um site, pois foi comprovado que quase 80%
dos usuários, após um minuto e meio, abandonam, frustados, sites com
baixa usabilidade. Admitindo que o cidadão é o foco do processo de
desburocratização, a busca da usabilidade é a questão fundamental no
design de um site na área pública.
Apresentamos em anexo um
conjunto de diretrizes de usabilidade que foram utilizados na pesquisa
"Desburocratização Eletrônica nos Municípios do Estado do Rio
de Janeiro", recentemente publicada pela Federação das
Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (FIRJAN). Essas diretrizes,
conforme revela o texto do citado trabalho, foram baseadas nas
sugestões de design do livro "Homepage Usabilidade - 50 Websites
Desconstruídos", de Jakob Nielsen e Marie Tahir, selecionadas pelo
critério de relevância e aplicabilidade para sites governamentais. Com
as adaptações, atualizações e acréscimos feitos pelos pesquisadores
para adaptar as diretrizes ao setor público, resultaram 87 itens,
agrupados em 10 categorias. Clique
aqui para obter a relação completa.
Recomendações
O uso da internet como
meio de redução da burocracia deve levar em conta alguns princípios
básicos para que não se corra o risco de ser criada uma versão
digital da burocracia que se pretende reduzir - a e-burocracia. Lista-se
abaixo três desses princípios, também extraídos da publicação
citada:
1. Os sites precisam ser
construídos segundo a ótica do usuário/cidadão e não seguindo o
organograma dos governos.
2. É preciso integrar as bases de dados dos diversos níveis de governo
da seguinte forma: entre os órgãos do mesmo município; entre os
municípios, os estados e a União; e entre as diversas unidades da
Federação. Isso levará os portais governamentais para o último
estágio de desenvolvimento (integração) e permitirá ao cidadão
resolver suas questões com um único "clique", evitando a
peregrinação por diversas repartições e/ou diversos sites de
governo.
3. A terceira recomendação diz respeito à necessidade de que os
municípios desenvolvam seus sites a partir de um projeto bem
estruturado, com padrões mínimos de design e usabilidade e um
planejamento consistente que leve à modernização administrativa e à
prestação de serviços on line de forma a efetivamente reduzir a
burocracia a que estão submetidos empresas e cidadãos. É preciso ter
atenção especial com a agilidade das atualizações dos sites, para
que as informações não fiquem defasadas. Da mesma forma, ao
reformular o site, não é correto deixá-lo fora do ar durante meses,
como ocorre atualmente com vários municípios, que foram considerados
sem site por este estudo. Para resolver este problema, basta construir o
novo site em paralelo e somente retirar o antigo do ar quando o novo
estiver pronto. Além disso, caso seja preciso mudar o endereço do
site, é importante manter o anterior funcionando, redirecionando-o para
o novo endereço. Assim, evita-se que os usuários se frustem ao tentar
acessar por uma URL desativada.
Considerações finais
Ao lado da melhoria do
grau de serviços e de fornecimento de informações, o uso do governo
eletrônico é um poderoso meio de aceleração do processo de
desburocratização, ganhos que produzem reflexos diretos na vida do
cidadão. O uso adequado da internet como instrumento de gestão
pública requer, entretanto, muitos cuidados para evitar a criação de
uma burocracia eletrônica.
Vale a pena pensar em
avaliar o site do seu município e observar o quanto ele está útil à
administração municipal, aos fornecedores do município e,
principalmente, ao cidadão.
Consulte-nos, a CEBI
possui larga experiência no desenvolvimento de aplicações da
Internet.
|