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« Boletim 23 »

Ao divulgar os recentes problemas relacionados com a aprovação de emendas no orçamento da União feitos por parlamentares no Senado e na Câmara  Federal para fraudar licitações na compra de ambulâncias, a imprensa fez com ficasse bastante evidente um dos aspectos frágeis do processo orçamentário– o poder da Comissão mista permanente de Senadores e Deputados que tem competência para apreciar todas as questões relacionadas com o processo orçamentário. Basta observar que a ela cabe examinar e emitir parecer sobre os projetos de lei relativos ao plano plurianual, às diretrizes orçamentárias, ao orçamento anual e aos créditos adicionais e sobre as contas apresentadas anualmente pelo Presidente da República, além de examinar e emitir parecer sobre os planos e programas nacionais, regionais e setoriais previstos na Constituição e exercer o acompanhamento e a fiscalização da execução orçamentária. Assim, todas as emendas são  apresentadas à Comissão Mista, que sobre elas emite parecer antes de serem apreciadas, na forma regimental, pelo Plenário das duas Casas do Congresso Nacional.

Essa fragilidade serviu de pano de fundo para acelerar as discussões sobre uma proposta de emenda constitucional que tramitava muito lentamente no Senado e que muda a natureza da Lei Orçamentária de autorizativa, como hoje é descrita na Constituição, em impositiva. A Proposta de Emenda Constitucional com essa mudança foi aprovada no Senado e seguiu para a Câmara, onde são esperados novos e acalorados debates. A proposta aprovada no Senado é um dos assuntos tratados no Boletim CEBI desse mês.  

Outra matéria que se encontrava em ritmo lento no Senado, a que estabelece o marco regulatório do saneamento básico, também foi aprovada nessa casa e agora depende da Câmara para tornar-se lei. Trata-se de uma lei há muito demandada considerando-se a presente precariedade da prestação de serviços públicos de saneamento básico, onde a falta de um marco regulador contribui para limitar os investimentos em ampliação ou melhoria dos serviços. O texto enviado para discussão pela Câmara está também comentado nesse número do Boletim.

Outros assuntos, como mudanças nos Regimes Próprios de Previdência e a negociação de créditos da dívida ativa completam esse boletim, cujo editorial trata da necessidade de redefinição do perímetro urbano tão logo seja aprovada a Lei do Plano Diretor.

Leia e faça suas críticas, elas ajudarão a melhorar o nosso Boletim.

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